terça-feira, 4 de junho de 2013

Professor Luís Reis - O LATIM MORREU! NÃO FAZ FALTA, POR AQUI! ou O LATIM MORREU? NÃO, FAZ FALTA, POR AQUI!

O LATIM MORREU! NÃO FAZ FALTA, POR AQUI!


ou

O LATIM MORREU? NÃO, FAZ FALTA, POR AQUI!

Antes de falar no James Bond, na Legião Francesa e nos Marines norte-americanos, queria homenagear um professor de Latim que dizia que, tal como o Amor, Labor omnia vincit [O amor/o trabalho vence tudo]; de seguida laureava-nos com o lema dos Jogos Olímpicos – Citius, altius, fortius [mais rápido, mais longe, mais forte] – incentivando-nos a darmos sempre o melhor de nós próprios à maneira de Ricardo Reis. Costumava ainda provocar-nos sobre a utilidade dessa língua e concluía que o Latim leva o aluno a estudar para aprender, em vez de estudar apenas para passar de ano; chamava ao seu estudo a arte de raciocinar.

O Latim foi sempre considerado a língua da ciência, como se pode ver, quer pelos nomes das plantas, quer pelos elementos da tabela periódica, cujas abreviaturas dele germinaram. No entanto, em qualquer sítio onde mencionemos o Latim, ouve-se de imediato alguém a referir-se a ele como uma língua morta. De facto, há muita coisa que já morreu e que continua a ser importante para nós… Aliás, até há algumas vantagens em estudar uma “língua morta”; ela não evolui, isto é, não tem (des)acordos ortográficos…

Para todos os que acreditam que aquela língua morreu, vou referir alguns exemplos em que aquela língua, eruditamente, “dá vida” a lemas/logótipos de países, estados e organizações: Estados Unidos da América (EUA) e Sport Lisboa e Benfica (SLB) – “E pluribus unum” [De muitos, um]; Guarda costeira e Marines norte-americanos – “Semper paratus” [Sempre pronto] e “Semper fidelis” [Sempre fiéis], respetivamente; Escócia – “Nemo me impune lacessit” [Ninguém me fere impunemente]; Canadá – “A mari ad mare” [De mar a mar]; Estado do Rio de Janeiro – “Recte rempublicam gerere” [Gerir a coisa pública (República) com retidão]; Legião Estrangeira Francesa – “Legio patria nostra” [A Legião é a nossa pátria]; Justiça portuguesa (sim, também tem um lema em Latim!) – “Ignorantia iuris neminem excusat” [O desconhecimento da lei não impede o seu cumprimento]; Força aérea portuguesa – “Ex mero motu” [Por mérito próprio]; Academia militar portuguesa – “Dulcis et decorum est pro patria mori” [Doce e honroso é morrer pela pátria]; cidade de Manchester – “Superbia in praelia” [Orgulho no combate]; Brasão da família de James Bond – “Orbis non sufficit” [O mundo não é o bastante]; Apollo 13 – “Ex Luna, Scientia” [Conhecimento a partir da Lua].

Como pudemos ver, a língua de Virgílio e Horácio não está assim tão morta como dizem. Onde uns leem “O Latim morreu! Não faz falta, por aqui”, outros compreenderão um pequeno erro de pontuação: “O Latim morreu? Não, faz falta, por aqui”. De facto, nós exalamo-lo em qualquer parte, às vezes até onde menos esperamos. Quanto ao seu ensino nas escolas portuguesas, já não sei se a podemos observar com tanta vitalidade, no entanto, como dizia Cícero, “Non deterret sapientem mors” [A morte não detém os sábios].

Luís Reis



Muito bom, sempre muito bom!!!!

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